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13 de dez de 2010

Um Encontro...

Final da tarde de hoje, eu vagando pela Avenida Paulista, adoro aquele lugar, muitas lojas de arte, gente bonita, especialmente no Natal fica linda, as luzinhas me fascinam.
Paro em frente a loja de artes mais bonita que tem na Paulista, telas lindas, esculturas de encher os olhos, entro mesmo sabendo que eu jamais poderia comprar algo daquela loja.
Lá no cantinho, uma vitrine bem pequena me chama a atenção, e vejo uma escultura que me arrepiou (eu reconheceria aqueles traços, aquelas impressões, aquela sensibilidade mesmo daqui a mil anos), um moça muito simpática se aproxima (nessas alturas eu já estava fascina pelo magnetismo da escultura), me aproximo mais da vitrine para ver se via impressões digitais, (característica dele, não tirava as impressões que ficavam nas esculturas, moldava com as mãos e não se preocupava em tirá-las) nesse momento não me restava a menor dúvida, mas como? se eu nunca tinha visto aquela escultura, nem uma foto dela eu tinha visto?
a moça diz:
- Em que posso ajudá-la moça?
- Em até quantas parcelas são vendidos os trabalhos?
- Fazemos em até dezoito parcelas, você gostou de algo?
- Eu quero aquela escultura moça (voz trêmula e engolindo as lágrimas, a moça esboça uma expressão estranha)
- Só um momento, vou chamar o dono da loja (minutos intermináveis)
- Boa tarde moça, qual o seu nome?
- Me chamo Sônia...eu quero aquela escultura ali, vou pagar em dezoito veses (já meio sem paciência, sem saber nem se eu poderia pagar, isso já não me importava).
- Desculpa moça, mas aquela é minha, fica aqui só pra exposição.
- Você não a vende?
- Não! quem fez ela pra mim, nunca mais poderá fazer outra, eu comprei quatro, vendi três, me arrependo. Esse rapaz foi um dos melhores artistas que vi em minha vida, ele expunha aqui na feira da Paulista, República etc, essa escultura é toda feita de epoxi, ele se chamava José Roberto Gerônimo, mas já não está mais aqui entre nós, linda a ninfa né? Olha, tem outras esculturas lindas na loja, não quer dar uma olhada? você há de se identificar com alguma, mas essa não vendo.
- Como você se chama? (eu pergunto pra ele)
- Me chamo Marco Sales (e me entrega um cartão)
- Sr.Marcos, sei que você não a vende, mas deixa eu ver a escultura fora do vidro (ele faz uma cara de quem não está entendendo nada, tira umas chaves do bolso, abre a vitrine e põe a escultura no balcão), e eu fico ali não sei por quanto tempo fazendo carinho nas impressões digitais  do artista que pra mim foi o melhor artista na arte de viver.
- Sônia, esse é o seu nome né? deixa eu te mostrar outras obras de outros artistas?
- Não precisa Marcos.
- Você conheceu o Beto, tem algum trabalho dele? (ele me pergunta, já guardando a escultura)
- Tenho sim Marcos, a obra mais valiosa dele, o seu melhor trabalho está comigo.
- Não entendi Dona Sônia (ele ri, parece que quer me descontrair)
- Nada não Sr. Marcos (devolvo a brincadeira), obrigada por cuidar dela tão bem, feliz Natal pra você.
Saio de lá com uma sensação estranha, mas feliz em saber que aquela ninfa tão linda está em mãos tão cuidadosas...

5 comentários:

Blog da Fofa disse...

Oi Soninha. (Posso te chamar assim?) Que lindo vc reconhecer o trabalho do Beto, mesmo sem nunca ter visto a escultura. Acho q esse acontecimento foi uma mensagem do Beto que ele sempre estará por perto de vcs. Um bjo linda

Sônia Cristina disse...

OI querida, claro que pode..
tem um dos alunos do Beto, o Ricardo, que tem um trabalho bem semelhante, na hora pensei por um breve momento que poderia ser dele,
mas o Ricardo não deixava as impressões digitais no epoxi, eu não tive coragem de pedir pra tirar uma foto, achei invasivo demais, mas vontade não me faltou, o Beto era meio relapso (inclusive não tirava fotos do trabalhos) por isso é normal eu não conhecer a ecultura.

bj anada

Lupo disse...

Detalhes... Toda a importância nos detalhes! Eis a mágica!

Adorei Sonia! Tava com dor, e até passou!

Bjo na alma!

Maria Helena disse...

Oi, querida amiga!

Como me emocionei lendo seu texto! Ao ler a história linda do encontro de almas, algo roubou a cena: a perfeição como você descreve sentimentos tão íntimos e tão puros! Como você é talentosa na arte de escrever, amiga! Você me transportou para a Avenida Paulita e eu pude ver toda a cena , através do seu olhar.
Que lindo amiga!Que encontro marcante e especial! Poderia dizer que foi um lindo presente de Natal mesmo sem você ter levada a escultura. O presente foi com você no cantinho mais precioso: o do coração!
Cada dia minha admiração cresce!
Bjs

Sônia Cristina disse...

Lupo querido,

que bom que você gostou, eu gostei mais ainda em saber que curei sua dor,
essa noite eu sonhei com vocês, nós nos encontravámos (todos) eu, Maria Helena,você, Fofa, Regina e todos os outros amigos que aqui estão.
Foi tão bom...era em uma praia e isso elevou minha alma, tenho vocês em meus pensamentos todos os dias, que bom saber que curei sua dor.

bj


Maria Helena meu amor,

O Marcos tem um cuidado um carinho tão grande pela escultura que eu não me incomodei nem um pouco em não levá-la. Foi o presente de Natal do Beto pra mim com certeza, um sinal como que dizendo: "Eu estou aqui sempre perto de você"...
Ele sempre me dá sinais das maneiras mais inusitadas possíveis...um cheiro, uma música, uma camiseta, uma situação...
vocês são pura luz em minha vida, já fazem parte dela.

amo vocês.