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22 de mar de 2011

As respostas que eu queria ter...

Outro dia conversando com a Tatiana ele me fez a pergunta que não queria calar..
- Ele precisava ter ido? Ele poderia não ter ido?
E eu fiquei com essa pergunta martelando em minha cabeça.
Eu perdi três pessoas que amava num periódo de nove meses, primeiro meu irmão que se foi em um acidente ao cair da escada de sua casa, quatro meses depois o Caio, um dos nossos melhores amigos, quem eu desejava que fosse o padrinho do Santhiago, uma das criaturas mais lindas, mais gentis, mais doces que já conheci em minha vida,(ele tinha sempre a palavra certa na hora certa), tinha uma generosidade que ficava evidente no brilho dos seus olhos (só não era generoso consigo mesmo) e logo depois meu bom José.

Meu irmão sofreu o acidente  em maio de 2007 (no dia das mães), e a partir daí foram três meses de sofrimento, cirurgia, internação, e ele definhando morrendo um pouco a cada segundo, e todos nós juntos. Um dia eu segurando sua mão, pedi: "MEU DEUS, ACABA LOGO COM ISSO"!

E alguns dias depois Deus atendeu o meu pedido, o seu sofrimento acabara ali, (meu irmão que eu aprendi a amar em uma UTI de hospital, mas que amei intensamente e ele totalmente consiente também me amou e vibrava com minha presença, irmãos são pedaços de nós espalhados, isso independente de convivência, e perder um é uma dor dilacerante, quase insuportável) mas apenas o sofrimento dele tinha se acabado...porque tudo o que eu tinha vivido até então era só um ensaio do que ainda estava por vir, o meu estava apenas começando...
Será que eu tinha esse direito? durante esses três meses eu implorava a Deus o desapego físico, tanto o nosso como o dele, e embora eu acreditando infinitamente no poder da mente eu estava descrente do "milagre".
Foi muito difícil perder meu irmão tão jovem e com quem convivi por tão pouco, e isso me faz buscar respostas que eu nunca, nunca terei...

Três meses antes do Beto desaparecer, eu comecei novamente a sentir a inquietude, estava tudo bem, nossa vida na mais perfeita harmonia, nossos filhos com saúde, Santhiago crescendo cada vez mais lindo, e eu chorava por nada, tinha um choro compulsivo que vinha a qualquer momento, era uma angústia tão grande, um desconforto, uma tristeza, a sensação era que meu coração não cabia dentro do meu peito e queria explodir, até que recebi o tal diagnóstico de "Sindrome do Pânico"...Mas porque se estava tudo bem?
Evidente que atribuiamos tudo isso aos fatos que haviam acontecido nos útimos meses, mas não era...

Hoje analisando com mais frieza e clareza eu percebo que todas aquelas oscilações de comportamento eram sinais... sinais para que eu entendesse que algo não ia ficar bem, ou talvéz Deus preparando meu coração, pois sabia que num futuro próximo eu ia ter que reaprender a viver com um rombo no lugar que outrora ele habitara, e eu não podia me dar ao luxo de ter nenhum tipo de Sindrome.
Me recordo com muita nitidez que alguns dias antes, eu com o coração acelerado sem conseguir dormir e o Beto fazendo cafuné em minha cabeça disse: "Sônia, o pior pavor que eu tenho em minha vida é que você desapareca antes de mim, eu não ia saber viver, eu não ia suportar"...Choramos os dois, de pânico que isso podesse acontecer um dia. Então eu penso: Porque eu não recebi sinais mais claros, mais evidentes? sinais que eu na minha mais absoluta ignorância  pudesse compreender?

E hoje sou totalmente descrente de tudo que acreditei desde o princípio de minha vida...
Mas de uma coisa eu tenho certeza; AQUI PAGAMOS O QUE NÃO FAZEMOS...
Hoje eu estou assim, triste, triste demais... sei que posso e devo teoricamente pensar diferente, e sei que amanhã o sol vai brilhar mais uma vez, e minhas esperanças irão renascer, mas nesse momento eu vivo a prática, e não ha teoria que dê jeito...

Claro que tudo poderia ter sido evitado. Não, ele não precisava ter ido!

Marisa Monte e Julieta Venegas entram como bálsamo em meus ouvidos..

12 comentários:

Faa Cintra disse...

é tudo tão triste...
Mas sobreviveremos a qualquer coisa... Pagando ou não aqui, no fundo sempre terá um sorriso

Lúcia Soares disse...

Há perguntas para as quais não encontramos respostas.
Se eu morasse perto de você, lhe daria meu colo.
Mas lhe envio boas vibrações. Que a paz acalente sua alma!
Beijos, beijos, muito, muitos.

Pandora disse...

As vezes eu tenho a impressão que a vida toda é um juntar de perguntas sem respostas... Isso também me doí!!!

Te deixo meu cherinho Sônia e meus melhores desejos!

Beth/Lilás disse...

Querida Sonia!
Realmente foi muita coisa junto, muitas dores em tão pouco tempo e imagino o quanto é difícil esta recuperação.
Mas, eu sempre acho que a gente tem uma quota de sofrimento e a sua, ao que parece, já se esgotou.
Então, fique certa, daqui pra frente tudo vai melhorar e a felicidade está vindo pra perto de ti, aos pouquinhos mas vem.
um abraço apertado, carioca

Néia disse...

Oi querida...
Já te contei minha história e assim como você,também recebi muito sinais que eu não entendia, mas que hoje procuro aceitar e mesmo sem as respostas acreditar que Deus tinha um propósito para isto. E acho que realmente ele sempre tem...Sabe eu nem coloco religião nesta conversa, embora ache importante crer em algo que lhe dê forças que lhe conforte.Acho mesmo que é pura sensibilidade, encontro e desencontro de almas, destino ou se lá que nome se dá, na realidade acho que ninguém pode viver a vida de ninguém. Sua história e prova real disto. Que dói, ah como dói é um vazio que faz volume, mas diminue com tempo e a gente acaba aprendendo a lidar com as ausências.
O que não podemos minha querida é achar que não vale mais pena ser feliz, como se isso fosse um castigo.Temos que viver por nós, mas principalmente pelos que dependem da gente. È outono e ele é mesmo um pouco melancólico, mas olhe pro sol e repouse com a lua e então verás que continuar é para poucos, resistir é só para os fortes e acreditar e voltar a ser feliz é só para os sensíveis assim como você.
Beijos iluminado neste coração sensível.É incrível, parece que já te conheço há anos.

Maria Helena disse...

Sinto-me sem palavras para comentar o seu post.Comoveu-me bastante! Só me vem uma emoção que me entala e me faz improdutiva com as palavras. Mas estou aqui na prática! Bjs!

Tati disse...

Sônia,

Eu não sou absolutamente ninguém, e não tenho nenhuma propriedade (mas ousadia ainda tenho e vou me valer dela) pra comentar o seguinte mas o farei; o que não te servir, jogue fora sem dó:

"Mas de uma coisa eu tenho certeza: aqui pagamos o que não fazemos"

Amiga, eu digo que não tenho propriedade porque não passei pelo que você passou, mas do fundo do fim do coração... Aqui não há merecimento. Não há lei alguma de merecimento. Não há maestro, e não há coisa alguma traçada... A nossa vida é essa folha em branco que vamos escrevendo, e que vai se juntando a outras folhas, e vai formando o que somos.

Viver sabendo que o que passamos é aquilo que acontece, e não necessariamente o que 'merecemos', e mal temos tempo de olhar pra trás. Eu tento enxergar as coisas que passo - as que gosto e as que detesto - com a única idéia de que é o conjunto delas que vai acabar regulando quem eu sou. Não sei se me fiz entender...

Deixe doer, se revolte, e se a raiva vier, que venha... Uma hora, ainda que leve anos, a dor vai se tornar suportável como uma parte da sua... Como quando ficamos sem um membro, ou sem uma função fundamental, e vamos com o tempo aprendendo a nos virar com o que temos. Nunca vai ser o mesmo, e nunca mais será tão colorido como era antes, mas é o que temos.

Visceral que somos.

Estou aqui.

Beijos.

Edson Santos disse...

...eu só peço pra Deus fazer eu parar de sentir essa impotencia, esse sentimento ruim de fracasso, de decepção, queria Sonia, poder te levar na estrada dos tijolos de ouro, e chegar até o Magico de Oz e lhe pedir um coração novo pra vc, as vezes eu tenho impressão de ter podido mudar essa historia que tambem é minha, perdi esse irmão que por muitas ou mesmo que eu nao saiba, sempre cuidou de mim...me lembro e choro por isso agora, ele sempre me incluia em alguns de seus planos, de voltar a tocar, ou qualquer festival que queria fazer,algo assim, ele corria la em casa ou me chamava quando eu passava na rua e me contava com brilho nos olhos...revirei minha vida e me sinto culpado por nao estar ai no dia em que ele se foi, talvez ele estaria me contando mais uma de suas ideias no momento, talvez eu pudesse estar com ele ali e tudo fosse diferente...
Acidentes são acidentes, estao fora das leis que sao regidas por Deus, mas os anjos da morte não perdoam, te arrancam o mais precioso...
Quando o super homem fez o mundo girar ao contrario pra ter o amor de volta...
tomara Sonia, que quando voltarmos a esse mundo, quando nos encontrarmos de novo, nao podemos errar Sonia, nao podemos errar, de novo...
sinto falta dele, sinto falta de tudo que fomos, dói demais isso...
me desculpa por nao encontrar o magico de Oz pra vc...
me perdoa minha amiga!!!!!

Do OUTRO lado do espelho... disse...

Soninha querida...infelizmente a vida é assim, dá mas também tira.
Temos que aprender com a dor,não tem outro jeito.Também passei por perdas, perdas irreparáveis,como o desaparecimento de minha mãe,com a qual tinha uma relação singular e de muito amor e admiração.Hoje, não prencho esses espaços vazios que ela deixou,mas trago comigo a essência vital dela em minha vida e tento levar uma vida...agora sem a presença física dela, mas levo-a no meu coração.Quando estou triste, lembro das palavras dela. Ela dizia: "Apesar de minha doença, amo viver, hoje vejo a vida, o amanhecer, a natureza, tudo que é belo...".Então minha querida amiga, não fique triste, alegre-se por ter tido a oportunidade de ter essas pessoas maravilhosas ao teu lado, mesmo que por pouco tempo...para amar não precisa de tempo, dimensão ou espaço...ama-se pelo Amor,simplesmente..vc amou e continua amando,em tudo o que eles deixaram e foram pra vc e vão continuar sendo...vc tem seus filhos, que merecem ver vc forte e feliz...Sei, que vc pode estar pensando que não é fácil, mas na vida é melhor ter amado e ter sido amada, do que nunca ter experimentado o amor...beijo no teu coração, e fica bem!!!

Lívia Azzi disse...

Ah, Sônia...

Consigo imaginar tudo isso... viver é tão difícil de encontrar sentido, mesmo assim vivemos e sabemos que 'cada momento ao lado de quem amamos é único, inesquecível e eterno'.

Recebe também o meu abraço repleto de amizade...

ManDrag disse...

Amiga

Também um dia, depois de todos os tombos e desaires da vida, quando me achei impotente até para me motivar nas tarefas mais rotineiras e quotidianas, jogado nesse carrossel emocional que nos reduz a um farrapo, me diagnosticaram Distimia e Sindrome de Pânico. Não sabia completamente do que se tratava, mas percebi que tinha uma ponta por onde começar a entender o novelo.
O que passou deixou marcas, não as podemos apagar. Mas podemos aprender a viver a partir do que temos e somos. E tentar perceber quem somos, para além do limitado plano de visão que o nosso quotidiano nos impõe.
Somos a soma de todos os nossos passados e todos os que por nós passaram se mantêm presentes na memória e no legado afectivo que nos deixaram; jamais deixarão de fazer parte de nós.
Só nos é pedido a coragem de continuar em frente. As respostas iremos encontrando pelo caminho.

Abraços

Nilce disse...

Nunca entendemos Sônia o porquê dos acontecimentos.
Você passou por muitas perdas e isso te deixou muito amargurada com a vida. É preciso crer num novo recomeço, na esperança de que tudo vai melhorar.
Deus faz sem explicar, mas com certeza tem seus motivos.
Força minha amiga. Estarei aqui sempre.

Bjs no coração!

Nilce