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1 de nov de 2010

A Sua Chegada...

No dia seguinte levei Edna ao médico, queria saber se estava tudo bem, foram feitos todos os exames necessários, você estava bem, eu então passei a cuidar exclusivamente dela e de você. Tinhámos hábitos diferentes e isso dificultava um pouco as coisas, mas era uma pessoa de fácil convicência.
O pior filho, é que eu comecei a gostar demais dela, e numa certa altura já queria trazê-la junto, como me foi imposto anteriomente, (que eu desobedeci) não devemos estreitar laços afetivos com familia biólogica, (pode parecer frio, mas é a maneira mais coerente), então eu comecei a me sentir a pior das criaturas e pensava: "Meu Deus, como é que eu vou levar esse bebê, e ela como vai ficar"? Todos os dias eu conversava muito com  Edna  a esse respeito, não queria dúvidas, ela se mantinha firme, a conversa sempre foi a mesma desde o início (um dia se for de sua vontade, te conto os motivos).
E a cada dia que sua chegada ia se aproximando, eu ficava com o coração mais apertado, porque nós dois íamos ter que nos separar dela, isso me desesperava. Seu pai estava muito ancioso e eu percebia o temor dele pelas nossas conversas, agora que estava tudo tão próximo, ele tinha medo filho de perder você, porque Edna  poderia desistir a qualquer momento da adoção (era um direito que lhe assistia).
Um dia seu pai me ligou cedo perguntando onde eu havia guardado uma pomada que eu uso pra passar em tatuagens, questionei pra que, ele disse que iria emprestar para alguém, acreditei porque até aquele momento Beto nunca havia manifestado a vontade de fazer uma tatuagem.
27 de maio de 2003, finalmente o médico marca uma cesariana para 30 de maio as 11hs, entrei em pânico, faltavam três dias,  e finalmente chegou o dia.
30 de maio de 2003, seguimos eu e Edna  de mãos dadas para o hospital, ela muito feliz, falava sem parar eu totalmente tensa: chegamos lá as 10hs, liguei pro seu pai, falei que faltava pouco, ele nem conseguia falar, tive medo que  tivesse um treco.
Inicialmente eu pensei em não assitir ao parto, mas ela precisava de mim, conversei com o médico que disse: "Você tem que entrar, quem vai tirar as fotos do seu filho"?.
Exatamente as 11:05 da manhã, você veio filho: Lindo, forte, vigoroso, os cabelinhos pretos, a enfermeira  pediu pra eu segurar, foi a maior emoção de minha vida, não dá pra descrever, é forte demais, entrei em transe, queria contar pra todo mundo que torceu tanto por mim, queria falar com seu pai...
Somente naquele momento eu entendi o que é realmente ser mãe, e entendi uma frase que sua avó me disse:
"Não se preocupe, o seu ainda está por vir"...