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26 de out de 2010

Norma...

Depois do episódio anterior, resolvi aquietar meu espírito por alguns  dias, estava com os nervos em frangalhos, estava decidida a permanecer na Bahia mas tinha que ter um tempo pra respirar, afinal já se faziam quase três meses que eu estava lá e como disse anteriormente parece que quando somos meros telespectadores as coisas fluem com maior facilidade, seu pai querendo que eu viesse passar alguns dias aqui, e eu totalmente confusa. Sua avó pedia pra eu ter paciência que tudo é da forma que Deus escreve, e que você estava a caminho, era uma questão da hora e do momento certo.
Mais ou menos quinze dias depois, recebo uma ligação de uma pessoa que tinha visto quando criança. Norma é enfermeira de um Hospital de uma cidade da Bahia que fica a 400km da cidade que sua avó mora, meio que não entendi porque ela estava me ligando, estava tão desacreditada que não assimilava os fatos.
Ela finalmente me falou que havia uma moça de 18 anos que a procurou no hospital, pois iria doar o filho que esperava (você meu filho), pois não tinha nenhuma condição de ficar com o bebê, e queria que fosse uma adoção consensual, pois a família dela queria saber pra onde o bebê iria para ter certeza de que ele estaria em boas mãos (era um direito que lhe assistia).
Norma é cunhada do seu tio, e é enfermeira chefe nesse hospital, e evidente que ela sabia da minha peregrinação através do seu tio. Eu entrei em transe, imediatamente liguei pro meu irmão e pedi que ele fosse até onde a moça estava para conhecê-la (até então ela não sabia de minha existência, pois Norma preferiu não se manifestar por saber de minha preferência por meninas, como se Deus permitisse a escolha do sexo de um filho).
Ele foi no mesmo dia a tarde, e eu aguardei anciosa que ele me ligasse, eram minutos eternos, até que finalmente ele retorna e me liga...
Tio - Já cheguei mana.
Eu  - E ai? fala, pelo amor de Deus.
Tio - Ela é linda cara!  Uma princesa, educada, decidida, sofrida, firme mana, mas está bem cuidadade a gravidez, só está precisando tomar umas vitaminas que já providenciei, está grávida de 7 meses, esse é o seu mana, vem pra cá, eu conversei bastante com ela, a questionei sobre a possibilidade dela nunca mais ver o filho, ela disse que está preparada, pois não tinha condições de ficar com o bebê por problemas financeiros, familiares etc. Vem pra cá mana...
Liguei pro seu pai, ele disse: faltam dois meses, vem passar pelo menos um mês aqui, pra arrumar as coisas novamente (nessas alturas eu já não tinha muita coisa do que tinha levado, e o que tinha era tudo  cor-de-rosa). Eu respondi que iria esperar lá mesmo, e que eu só retornaria de lá contigo filho, e cinco dias depois segui pra cidade que seu tio mora.
Seu tio me esperava na rodoviária, primeiramente fomos ao Forum, Norma já tinha adiantado o caso da adoção consensual, após conversar com o Assistente Social, ele me passou as instruções, e deixou bem claro para que eu não tivesse muito contato, que a ajudasse, mas a deixasse na casa dela (claro que ele percebeu que eu sou pura emoção)  Fui conhecer Edna, me lembro como se fosse ontem: Ela me esperava na porta com um vestido azul, os cabelos iguais aos seus, só que pretos, a abracei como se ela fosse minha irmã, e ela disse: "como você é linda"! (risos), conversamos por uns 10 minutos a sós, (teve um momento que ela segurou minha mão e colocou na sua barriga, e você pulou filho), meu irmão me observava o tempo todo de longe, temendo pelos exageros de minhas emoções, (devido as instruções recebidas anteriormente) e advinha?
Contrariando todas as instruções que eu havia recebido há menos de uma hora atráz, a convidei pra ir pra minha casa,  eu queria cuidar dela, queria sentir você, e seguimos pra casa, eu era pura felicidade, engraçado filho: Naquele momento eu esqueci todas as decepções anteriores, senti que você era meu e estava perto de mim,  eu queria proporcionar o melhor pra ela, dar um pouco de tranquilidade, levar pessoalmente ao  médico. Liguei pro seu pai, chorei muito, de saudade dele, dos meus animais de minha casa, mas eu precisava ficar, seu pai demonstrava ser muito forte, mas eu sabia através de nossa vizinha que me ligava todos os dias que ele não era tão forte assim...
E assim Edna entrou em minha vida....

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